Especialistas alertam: IA não substitui pessoas, mas muda o trabalho
A inteligência artificial está transformando a forma como as empresas trabalham, mas o impacto vai muito além da substituição de ferramentas ou da adoção de novos softwares. O desafio, segundo especialistas reunidos na Tech Conference, realizada pela Rede Vitória e pela Apex nesta quarta-feira (22), é preparar pessoas, reorganizar processos e entender que a IA não elimina profissionais, mas muda a maneira como o trabalho é executado.
Durante o evento, os painelistas defenderam que a principal mudança provocada pela inteligência artificial está na automatização de tarefas repetitivas, enquanto as decisões estratégicas continuam dependendo da atuação humana.
Para o CTIO da Globalsys, Beto Yunes, a tendência é que a IA transforme a própria estrutura das empresas, fazendo com que as atividades operacionais e repetitivas sejam absorvidas pela tecnologia.
Fatos ou atividades simples, você pode realmente transformar ou automatizar com essa inteligência artificial. (…) Essas mudanças precisam ser muito bem pontuadas e nós precisamos estar ali como curadores.
Beto Yunes, CTIO da Globalsys
IA não substitui a gestão dos processos
Apesar do avanço da tecnologia, os especialistas reforçaram que nenhuma ferramenta resolve problemas de empresas que não conhecem bem seus próprios processos.
O sócio da ABC Partners, Renzo Colnago, lembrou que essa discussão já aparecia antes da explosão da inteligência artificial e ganhou ainda mais importância. “Gerenciar processo é uma coisa que vai estar sempre na moda. Com a IA, isso é imperativo.”
Segundo ele, o primeiro passo continua sendo entender como a empresa funciona.
“No fim do dia, numa empresa é basicamente você pegar a cadeia de valor da empresa, entender quais são os processos estratégicos e qual é o processo que vai gerar impacto com a tecnologia.”
IA exige profissionais preparados e empresas mais competitivas
Um processo que depende tanto da tecnologia quanto da participação humana, exige uma mudança na formação dos profissionais e na forma como o Brasil encara inovação e produtividade.
Para Mateus Starling, diretor do Polo Espírito Santo da Apex Partners, quem entrar no mercado de trabalho sem dominar essas ferramentas é que corre o risco de perder espaço nos próximos anos.
“Se essa geração jovem não adotar tecnologia e IA desde já, vai ser uma geração que realmente vai ser atropelada. Mas também é uma geração que tem uma oportunidade enorme de alavancar isso”, aponta.
Felipe Caroni, CEO da Rede Vitória, chamou atenção para outro desafio: a baixa competitividade brasileira. No Ranking Mundial de Competitividade 2026, elaborado pelo IMD World Competitiveness Center (WCC), o país ocupa apenas a 65ª posição, apesar de estar entre as maiores economias do mundo.
“O cidadão americano gera por hora cerca de 80 dólares de valor. O brasileiro gera cerca de 21 dólares. Mas, enquanto não formos produtivos, não vamos gerar valor.”
Em sua avaliação, a inovação não deve ser encarada como um objetivo isolado, mas como consequência do aumento da produtividade.
Quando olhamos os principais países do mundo, os mais inovadores são também os mais competitivos. A inovação não vem antes, ela tem que ser uma consequência da competitividade.
Felipe Caroni, CEO da Rede Vitória
Conferência debateu o uso da tecnologia nas empresas
A edição da Tech Conference reuniu empresários, especialistas e lideranças do setor de tecnologia nesta quarta-feira (22), na Fucape Business School, em Vitória. Promovido pela Rede Vitória e pela Apex, o evento debateu o papel da tecnologia como estratégia para impulsionar a competitividade das empresas.
Ao longo da programação, palestrantes abordaram temas como inteligência artificial, transformação digital, inovação, análise de dados e os impactos das proptechs no mercado imobiliário. Também foram apresentados dados sobre o setor de tecnologia no Espírito Santo e discutidas tendências que devem influenciar os negócios nos próximos anos.
Entre os participantes estiveram Felipe Caroni, CEO da Rede Vitória; Clayton Freire, CEO da Automatiza; Renato Chulam, CEO da Akler; Paulo Bichucher, CEO da Yuca; Roberto Pinheiro, CEO da MyDoor; Tales Silva, CEO da Construct IN; além de economistas e especialistas da Apex.
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