Câmara de Vitória abre processo que pode cassar mandato de vereador condenado por estupro

Câmara de Vitória abre processo que pode cassar mandato de vereador condenado por estupro

Vereador Orlandino Rodrigues de Souza, Baiano do Salão. Foto: Reprodução/CMV

A Câmara Municipal de Vitória aprovou, na sessão desta segunda-feira (20), a abertura de um processo político-administrativo que pode resultar na cassação do mandato do vereador Orlandino Rodrigues de Souza, o Baiano do Salão (Podemos).

A medida foi tomada após o recebimento de uma representação apresentada pelo presidente da Casa, Anderson Goggi (Republicanos), poucos dias depois de o parlamentar ser condenado, em primeira instância, a mais de 31 anos de prisão pelos crimes de estupro de vulnerável e lesão corporal contra uma criança de 5 anos.

Com a aprovação do plenário, foi instaurada uma Comissão Processante, responsável por conduzir a apuração e garantir o direito de defesa do vereador antes de emitir um parecer que será submetido à votação dos demais parlamentares. A eventual perda do mandato dependerá da conclusão desse procedimento e de nova deliberação da Câmara.

Como Anderson Goggi é o autor da representação, ele ficou impedido de presidir essa parte da sessão e de votar. Os trabalhos foram conduzidos pelo vice-presidente da Câmara, Leonardo Monjardim (Novo), que também não participou da votação. Os outros 18 vereadores presentes votaram favoravelmente à abertura do processo.

Logo após a aprovação, foi realizado o sorteio para definir os integrantes da Comissão Processante. A vereadora Ana Paula Rocha (Psol) será membro, Armandinho Fontoura (PL) atuará como relator e João Flávio (MDB) será o presidente da comissão. A primeira reunião do grupo ocorreu ainda nesta segunda-feira, após o encerramento da sessão.

Relembre o caso

Baiano do Salão foi condenado pela 10ª Vara Criminal de Vitória a 31 anos, seis meses e 20 dias de prisão, em regime inicialmente fechado, pelos crimes de estupro de vulnerável e lesão corporal praticados contra uma criança de 5 anos.

Segundo a denúncia, os abusos ocorreram durante cerca de quatro meses, quando o vereador mantinha um relacionamento com a mãe da vítima. Conforme o processo, a criança relatou os abusos à família após demonstrar resistência em permanecer sozinha com o padrasto.

Apesar da condenação, o vereador responde ao processo em liberdade enquanto recorre da sentença e utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.

Câmara e partido já haviam adotado medidas

Na última semana, a presidência da Câmara já havia protocolado uma representação na Corregedoria-Geral da Casa para apurar a conduta do parlamentar. Paralelamente, os vereadores Luiz Emanuel e Davi Esmael, ambos do Republicanos, solicitaram à Justiça o afastamento imediato de Baiano do Salão do exercício do mandato.

O caso também provocou repercussão dentro do Podemos. A direção estadual do partido instaurou um processo disciplinar com pedido de expulsão do vereador e informou que avalia medidas para buscar a perda do mandato na Justiça Eleitoral.

Em nota divulgada após a condenação, a defesa de Baiano do Salão afirmou que a sentença é de primeira instância, destacou que o parlamentar recorrerá da decisão e sustentou que permanece garantida a presunção de inocência até o julgamento definitivo do processo.

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