Onde comer um dos melhores frangos caipiras do Espírito Santo
O aroma que sai das panelas, o tempero feito com calma e o sabor que remete à infância. Poucos pratos representam tão bem a culinária do interior capixaba quanto o tradicional frango caipira. Servido em versões como ensopado, ao molho pardo, com quiabo, polenta, aipim ou batata, ele atravessa gerações e segue como uma das experiências gastronômicas mais procuradas por quem busca comida afetiva.
Na região serrana de Buenos Aires, em Guarapari, um dos principais endereços para provar a iguaria é o Restaurante Bar do Ademir, considerado o primeiro restaurante da tradicional Rota da Ferradura. Há cerca de 15 anos, a casa se tornou referência ao transformar um prato típico em sua maior identidade.
A história começou muito antes da abertura do restaurante. Segundo a administradora Lara Gomes, filha dos fundadores, Solange Gomes e Ademir Reis Costa, a receita nasceu da experiência da mãe, que já preparava galinhas caipiras por encomenda quando a família ainda mantinha um aviário em Guarapari.
“Quando meus pais vieram para Buenos Aires, minha mãe já trabalhava com galinha caipira por encomenda. Ela trouxe esse público para cá e começou a preparar o prato no restaurante, que rapidamente se tornou conhecido por essa especialidade”, relembra Lara.
Hoje, o frango caipira é o grande carro-chefe da casa.
“A galinha caipira foi o prato que fez as pessoas conhecerem a nossa região e o nosso restaurante. Antes era feita apenas por encomenda, mas hoje desenvolvemos um sistema de preparo que permite servir o prato diariamente, mantendo a mesma qualidade”, destaca Ademir.
Um prato, muitas versões
Foto: Arquivo Pessoal
No Bar do Ademir, a tradição ganhou versatilidade sem perder a essência. O cliente escolhe como prefere saborear o frango caipira.
“A gente faz ao molho pardo, com quiabo, com batata, com aipim, com batata-doce ou em forma de galinhada. Brincamos que somos a casa oficial da galinha caipira, porque fazemos exatamente do jeito que o cliente gosta”, conta Lara.
O prato é servido em versões meia e inteira, pensadas para compartilhar. A meia porção custa R$ 165 e serve de duas a três pessoas, enquanto a versão inteira sai por R$ 235 e atende confortavelmente entre quatro e cinco pessoas, reforçando o espírito de mesa farta que marca a culinária do interior.
Os ingredientes também ajudam a preservar a autenticidade do prato. As aves são adquiridas de produtores da própria região de Buenos Aires.
“Hoje trabalhamos com fornecedores locais que criam a verdadeira galinha caipira com muito cuidado. Pela demanda que temos, já não conseguimos fazer toda a criação, mas mantemos essa parceria justamente para preservar a qualidade”, explica.
Comida que abraça
Mais do que servir refeições, o restaurante mantém viva uma história familiar. Após a morte de Solange Gomes, há oito anos, vítima de câncer, Lara passou a administrar o negócio ao lado do pai. Na cozinha, quem prepara as receitas é uma tia da família.
“É um restaurante familiar. Tocamos tudo com muito carinho e sempre lembrando da minha mãe. Nosso objetivo é receber as pessoas como se estivessem dentro da nossa própria casa.”
Essa sensação é percebida pelos clientes.
“Nossa comida é afetiva. O que mais ouvimos é que ela lembra a comida da avó, da mãe, aquela comida feita no fogão, com tempo e carinho. Além da galinha caipira, servimos porco na lata, costela no bafo, chorizo, linguiça e virado mineiro. É uma verdadeira comida de roça.”
Destino gastronômico
Com o crescimento da Rota da Ferradura, o restaurante passou a receber visitantes de diversas regiões do Brasil.
“Principalmente nas férias de janeiro e julho, chegam muitos turistas de Minas Gerais, São Paulo e do Norte do Rio de Janeiro. Muita gente já vem para Guarapari sabendo que quer conhecer o Bar do Ademir para experimentar a nossa galinha caipira”, afirma Ademir.
A procura é constante durante todo o ano. O restaurante funciona diariamente, das 8h às 16h, servindo o prato sem necessidade de reserva ou encomenda.
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