Por que as meninas sofrem tanto? Um alerta sobre a saúde mental das adolescentes
Marina tem 15 anos. Vai bem na escola, é dedicada aos estudos, pratica esportes e quase nunca dá trabalho aos pais. Ainda assim, todas as noites, antes de dormir, sente que não é bonita o suficiente, produtiva o suficiente ou interessante. Está em grande parte do tempo triste e insatisfeita com a vida.
O fato é que existe uma epidemia silenciosa de tristeza entre as adolescentes brasileiras. E que afeta muito mais as meninas. Mais que o dobro. Isso pode estar acontecendo bem perto de você.
Os dados foram levantados pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), feita em 2024, com estudantes entre 13 e 17 anos. No estudo, investigou-se junto aos adolescentes aspectos de variação emocional nos 30 dias anteriores à pesquisa.
O resultado é alarmante: 43,4% das meninas e 20,5% dos meninos sentiram vontade de se ‘machucar de propósito’ nos 12 meses anteriores à pesquisa. Uma a cada quatro meninas adolescentes considera que a ‘vida não vale a pena ser vivida’; mais que o dobro dos meninos (12%).
Mais de 40% dos adolescentes de 13 a 17 anos afirmam que não estão satisfeitos com a própria imagem corporal. O percentual de satisfação com a própria imagem cai desde 2015, quando o índice era de 70,2% (Fonte: Agência IBGE).
Na maioria das vezes isso pode estar ocorrendo de forma silenciosa sem que os pais tenham consciência desses quadros, pois nem sempre isso irá se refletir em notas ruins no colégio ou sinais muito claros.
O adolescente de hoje não se compara apenas com os colegas da escola ou da rua. Ele se compara diariamente com centenas ou milhares de pessoas aparentemente mais bonitas, populares, bem-sucedidas e felizes em função da alta exposição às redes sociais.
O problema não é apenas a comparação, mas a frequência dela.
Uma menina de 15 anos pode ser exposta diariamente a centenas de imagens cuidadosamente editadas de corpos, viagens, relacionamentos e estilos de vida praticamente inalcançáveis.
A fase da adolescência é bastante delicada, pois em função de seu cérebro estar em desenvolvimento, existe uma explosão de emoções e de forma intensa. E vêm as oscilações de humor, a busca por identidade e os conflitos típicos dessa idade.
Isso muitas vezes pode afastar os pais num dos momentos mais importantes da vida de um indivíduo onde eles estão tentando se tornar adultos. E um adolescente sozinho fica bastante vulnerável emocionalmente. Podendo ser vítima de qualquer um que o faça se sentir ouvido. Que amenize a sensação de solidão ou de fazer parte de algo.
Soltá-los na internet sem saber que tipo de conteúdo eles estão consumindo é como deixá-los sair de noite sem saber o seu destino e com que companhia eles estarão.
Podem ser acolhidos por relacionamentos abusivos, influenciadores nocivos e até comunidades online que reforçam o sofrimento. O que definitivamente é perigoso para a saúde mental deles.
Você sabe o que o seu filho está consumindo na internet? Na correria do dia a dia, você já parou para pensar quanto tempo de qualidade você vem investindo nos seus filhos? Se participa dos seus interesses, mesmo não tendo muita afinidade com eles? Uma viagem em família por ano não conta. Eles precisam da nossa presença hoje e amanhã também. E depois de amanhã também.
Nenhum profissional substitui a presença emocional dos pais. Nem psicólogos, nem educadores no colégio. Filhos precisam sentir que seus pais estão emocionalmente disponíveis para eles.
Você frequentemente avalia os seus filhos, mas já parou para pensar que nota eles dariam para você como pais? Se eles se sentem escutados, acolhidos e compreendidos?
Porque, no fim das contas, talvez o maior fator de proteção para a saúde mental de um adolescente seja saber que existe um lugar seguro para onde ele sempre pode voltar: a própria família. Quando não o encontram isso em casa, normalmente irão procurá-lo em outro lugar.
Leia a notícia completa no G1: Clique aqui








